Liderando pelo Exemplo

fevereiro 9, 2012

 

“Faça o que eu digo e o que eu faço!”

 

 

Ser chefe não é fácil. Você precisa trabalhar mais que os outros, chegar antes, sair depois, ralar muito, trabalhar fins de semana. Será? Talvez! Não tenho uma opinião fechada sobre o assunto. Acho que em tese, todo mundo deveria saber o que fazer sem precisar seguir exemplo nenhum. Explico, sempre fui meio self-driven,  self-motivated,  meio “me-dê-o-trabalho-e-me-deixe-em-paz!”  tipo de pessoa. Eu me gerencio  e gosto de exercer meu empowerment e  tenho ownership. No primeiro caso, significa  ter a autoridade e  o poder para fazer as coisas; no segundo, se tiver a responsabilidade de um problema,  resolver, cuidar,  ir até o fim.

Mas para poder assumir o problema, é  preciso ter a autoridade e liberdade para isto. Simples assim. Empresas que delegam poder a seus funcionários são muito ágeis e eficientes no seu dia-a-dia, porque se um funcionário puder resolver um problema sem ter que recorrer a vários níveis de hierarquia, é um diferencial importante e que beneficia todo o processo (leia-se clientes, fornecedores, outros departamentos, enfim a cadeia produtiva anda mais rápido). É uma vantagem estratégica que a privilegia frente à concorrência.

Mas nem tudo são flores. Existem pelo menos dois problemas nessa equação. Ou ao funcionário é dada a autoridade e ele não usa, por insegurança, medo de errar, preguiça, omissão, seja lá o que for  – ou ele é ousado, pode fazer mais, quer agitar, percebe que a empresa poderia ser mais proativa, mas a empresa possui uma gestão centralizadora, a gerência  quer ser copiada nos e-mails  – em todos - quer estar a par de cada pequena ação que acontece na empresa, micro-gerenciamento total e lá se vai a boa vontade de alguém que quer fazer diferença, mas não consegue.

São situações muito complicadas e de qualquer forma porque reduzem a produtividade e a motivação de qualquer colaborador. A verdade é que existem gestores, inseguros ou  despreparados, que podem até ter  medo  de perder o controle. É fato. Às vezes,  um excelente técnico ou supervisor e promovido a gerente –  tendo que  interagir, desenvolver, gerenciar pessoas,  pode se queimar, às vezes não tem skill para isto.  Há que se treinar, portanto!  Ninguém nasce sabendo. Conheço profissional que preferiu voltar ao “status” anterior porque era mais fácil trabalhar no esquema “voce s/a”, ou “eu sozinho s/a”, sem precisar gerenciar relatórios e pessoas. Preferem desenvolver projetos sozinhos, questão de perfil!

Outro problema comum é o funcionário seguir rigidamente o modelo do chefe – que pode nem ser  um modelo exemplar, vamos dizer assim. Se o chefe erra – e quem não erra? – se tem lá seus desafios de gestão, autoridade, tem outras prioridades,  acaba de alguma forma influenciando os mais fracos (ou os mais acomodados). Daí sim, nesse momento, eles querem seguir o modelo, porque se afinal o chefe está mudando de casa e por conta disto, se ausenta com mais frequência do trabalho – e não fica tão “presente” no escritório, então – para alguns (“espertinhos”)  –  este seria um ótimo momento para seguir o “líder”. “Se ele pode, por que eu não?”

É uma atitude no mínimo infantil e imatura, afinal de contas, em tempos de home-office, wi-fi, blackberry, equipes virtuais, cloud computing e outras conveniências criadas pela tecnologia, ninguém precisa fisicamente seguir ninguém, mas há sempre aqueles que acham que tem um “emprego”, não  necessariamente metas a serem cumpridas, não são parte da solução, mas parte do problema!

Felizmente  estes tipos são pouco representativos percentualmente na empresa, mesmo porque se forem a maioria,  a empresa corre o risco de  sumir do mercado. Nesse caso,  não têm commitment nenhum, não estão envolvidos no contexto global e sempre são partidários da Síndrome de Nóe…ou seja “Noé comigo!” Precisa de um relatório meio rápido?  Ih “noé”  comigo! Qualquer tarefa que precise ativar alguns neurônios meio rápido? “Noé comigo!” E por aí vai…

Mesmo assim, o modelo de liderar pelo (bom) exemplo é uma boa tática, embora  alguns sempre serão capazes de se virar sozinhos. Para estes, uma supervisão mínimia  garante bons resultados. Com empresas preocupadas com custos, enxugando equipes, terceirizando atividades, gerenciando seus recursos cada vez mais e melhor,  espera-se que todos cumpram seu dever. E se cada um fizer o seu trabalho – e de forma profissional – ora, então tudo vai dar certo, porque, como dizem, o todo é maior do que a soma das partes!

O Grupo “Mulheres de Negócios” do LinkedIn

janeiro 20, 2012

 

4000  Maneiras de Ver o Mundo

 

 

Há quase três anos resolvi convidar umas amigas para discutir “business” usando o LinkedIn, nada a ver com aqueles velhos “Cs” – celebridades, casa, corpo. Queria entender melhor tópicos do mundo corporativo – mesmo porque para aqueles outros assuntos já existem milhões de sites. Queria ver os  outros “Cs”: carreira, coach, crescimento, comunicação, chefes, etc. Falar de coisas que mulheres que trabalham pudessem discutir, participar, colaborar, criar  conhecimento para ser usado no dia a dia por este pequeno grupo.

Este primeiro “convite” foi enviado para oito amigas – e  elas devem ter enviado para outras e hoje, quase 3 anos depois, somos quase 4000 participantes! Dessa comunidade nasceram idéias, parcerias, encontros, empregos, networking, negócios, amizade, milhões de possibilidades que nunca param de aparecer!

No primeiro blog deste ano gostaria de agradecer publicamente algumas pessoas que fazem parte desta história,  dando força para que aquele pequeno grupo pudesse se transformar numa “grande empresa” como é hoje. Tem sido uma experiência pra lá de enriquecedora. O conhecimento vem de todo o lado, embalado em muito bate-papo, almoços, reuniões e claro, apresentações regadas com muito conteúdo.

Sei que este tipo de homenagem é uma armadilha, pois tende a deixar muitas pessoas de fora, mas prevendo isto, já me desculpo antecipadamente e sei que minhas queridas colegas compreenderão, porque nesse momento eu estou pensando em todo mundo, então devo ser perdoada, assim espero!

Tudo começou com a Carmen Miranda, a primeira associada do grupo, a primeira mulher que disse “sim, vamos nessa!”, depois teve a Silvia Bassi, nossa primeira palestrante, que falou em 2009 – visionária já – sobre o poder das redes sociais, a comunicação nos tempos do mundo 2.0, um super kick-off que fez a galera convidar outras e a partir dali, o grupo teve uma expansão sensacional.

Depois começamos a contar com os apoios das associadas. Teve a Cintia Camarotto, amiga de longa data e meu parâmetro de mulher de sucesso,  o pessoal da Amcham, a poderosa Elaine Póvoas que além de patrocinar um encontro, trouxe pela primeira vez um homem  para falar no grupo -  e que literalmente fechou o ano com chave de ouro falando sobre o mercado de luxo. Ninguém vai esquecer a palestra do Ferreirinha – ele é mesmo “o” cara!

Teve a Miriam Bretzke, que falou sobre CRM, o Renato Lopes, um super designer que criou o logo do grupo, também indicado pela Elaine (ela de novo, eita mulher conectada).  E há também homens e mulheres que estão lá, “no matter what”: Silvia Fichmann, que mostrou muito didaticamente a relevância do grupo, a Teresa Fonseca, que curte todas as iniciativas do MDN, um astral a prova de qualquer tempestade, a Cibele Nardi que já falou sobre Coach, a Eva Coutinho, figurinha carismática e estilosa, a Marli Opice, expert em TI, que sempre tem um agrado para o grupo, o Pablo Aversa, que  nos enriquece com seus posts sobre coach e cultura corporativa, a Ana Manssour, dona de um humor aguçado, muito querida, que debate o universo feminino como ninguém, a Débora  Andrade –  que me emocionou logo nos primeiros encontros –  entende muito bem o que passa na nossa alma – corporativa ou não.

Tenho que falar da Carol Olival, nossa Mega English expert, sempre pronta a apoiar nossas iniciativas,  a Vera Dantas, dona de um texto lindo e forte, querida amiga e Liane Michels  – mulheres fortes do Rio, fazendo com que as coisas aconteçam por lá também. Forte também é a Silvia Palma, guerreira, viu, dura na queda! 

 E tem  vocês – que estão aí, há algum tempo, acompanhando nossos passos, as mais quietinhas, as  mais ativas,  as que acabaram de entrar no grupo e se perguntam: que loucura é esta? Eu digo, este  é o mundo dos negócios – bem-vindas! Deixa a gente maluca, mas nos dá uma sensação muito boa no fim do dia, um gostinho de missão cumprida (ou comprida, não sei….as vezes, a gente acha que não vai dar conta, verdade!).

Adoro os comentários, as sugestões, os link com textos interessantes,  pauta  para refletirmos! Vocês são ótimas! Fico super  feliz quando vejo 7,10, 12, 15 novas adesões toda a semana! De onde vem tanta mulher? Eu não sei. Sei que somos muitas! Que bom, a paz está garantida! Enfim, o grupo Mulheres de Negócios existe porque vocês estão aí.  E por tudo isto, eu só posso agradecer, de Coração, com “C” maiúsculo! E voltando ao “C”, eu vejo o grupo como um Corpo, a gente não vê os órgãos, mas sabe que todos estão ali, uns pertinho, outros mais longe, mas todos são vitais e têm sua função para que tudo possa rolar perfeitamente.

Para todas as mulheres e homens que reconhecem a importância do “Mulheres de Negócios” e “curtem” o grupo,  eu desejo muito sucesso, muitas conquistas – e que possamos continuar juntos em 2012.

Um grande beijo!

Gladis

Mulheres Empreendem Muito, Mas Ganham Bem?

dezembro 14, 2011

 

 

Várias pesquisas têm apontado que as mulheres estão empreendendo muito, mais que os homens. Cada vez mais, mulheres estão gerenciando seus próprios negócios, cuidando de suas franquias, abrindo suas lojas, sendo donas de seu tempo, recursos, investimentos, enfim, cuidando do que é seu. 

A taxa de empreendedorismo feminino só cresce, mas de que forma? Será que a mulher está ganhando dinheiro? Ou será que está ganhando como deveria? A questão é relevante se pensarmos que pela primeira vez no país, as mulheres estão empreendendo mais do que os homens, é um fato.  O problema é que normalmente, a idéia que sai do papel não tem muita base de informação, ou seja, é sabido que o empreendedorismo é um colchão do desemprego – muitas vezes as pessoas começam um negócio porque precisam de um salário para viver – e é ai que o problema reside – não há planejamento, não existe um business plan bem feito para esta iniciativa. A coisa se dá de forma intuitiva – às vezes um hobby que se transforma num trabalho full time, mas sem pesquisa, sem análise de ambiente, mercado, concorrência, pontos fortes ou fracos  – pode dar certo, mas na maioria das vezes falha.

 

Normalmente o que diferencia um serviço de outro – é, além do nível de qualidade, seu grau de inovação, preencher uma necessidade de mercado que não está sendo atendida, buscar um novo mercado para um produto ou oferecer este produto de uma maneira inovadora. Estamos falando de diferenciação – o “meu” produto é melhor que o seu por várias razões. Isto é empreender e bem. Criar algo novo, diferente, com qualidade, que traga conveniência para o cliente, que o atenda de forma personalizada.

 

Quando se empreende por necessidade – não por oportunidade, as coisas acontecem de forma aleatória, não existe um plano de contingência, uma reserva financeira e não existe um fator que diferencie de milhões de micro-empreendedores que estão trabalhando no mesmo segmento. E é ai que muitos empreendedores – homens e mulheres sucumbem. Porque vamos trabalhar no que nos traz conforto, e nem sempre este conforto vai envolver pesquisa, busca de novas tecnologias ou inovações que podem custar caro e necessariamente não trarão o tão esperado retorno – principalmente quando o investimento é baixo e normalmente é.

Pesquisas também apontam que muitas vezes o investimento é feito utilizando o limite do cheque especial – a taxas altíssimas, que muitas vezes inviabiliza o negócio. São atividades que envolvem planos de curto prazo – apenas a sobrevivência até o final do mês, e não agrega nova ou qualificada  mão de obra, também um fator que acaba alterando o aspecto profissional do trabalho, é uma gestão familiar – o marido, a irmã, a mulher, os filhos, não que isto não possa acontecer, mas mesmo grandes empresas geridas pela família passam por análises e consultorias, para que tudo corra bem. Não é uma gestão profissional com  todos os aspectos que o assunto requer: motivação, inspiração, liderança, questões salariais, benefícios.

 

Enfim, não querendo ser pessimista, mas apenas mostrando uma realidade, empreender não é para qualquer um – envolve riscos, que nem todos estamos prontos ou gostamos de correr, envolve disciplina, auto-gestão, um capital de giro que possa sobreviver a longos períodos sem lucro e uma gerenciada dose de expectativa, porque os negócios podem não ir tão bem como pareciam nos catálogos ou naquela pousada que lota durante o verão, mas que sofre pela falta de turistas no resto do ano.

 

Empreendedores que iniciam suas atividades movidos por uma oportunidade, com planos e metas pré-estabelecidas se dão muito melhor do que aqueles que iniciam por uma necessidade. Sem plano não há negócio, ou melhor dizendo, todo negócio precisa de um bom plano. E isto é só o começo!

 

 

 

 

 

 

E Quem Anima o Palhaço?

dezembro 9, 2011

 

Palhaço tem dia de folga e nesse dia ele chora.

 

Costumam dizer que sou uma pessoa engraçada. Pode ser, acho que sou. Nem sempre fui assim, costumava ser um pouco menos atrevida, não falava tudo o que pensava, nem posso dizer que era dona de um grande senso de humor. Mas tenho certa facilidade em pegar algumas manias. Explico: se fico muito tempo nalgum lugar, tendo a falar como as pessoas daquela região, pode ser no nordeste ou no sul do Brasil, deve ser algum processo de mimetização ou osmose, sei lá. Mas esta coisa de ser engraçada, creio que “peguei” de uma amiga com quem trabalhei no Unibanco muito tempo atrás. Esta mulher era a alegria do andar. Falava tudo o que passava em sua cabeça.  Era muito divertida e eu a admirava. Achava o máximo falar o que tinha vontade, claro, nas horas certas e para as pessoas certas. Com a gente, pelo menos, ela falava tudo e a gente morria de rir. Era muito legal estar perto dela.

 

Então, aos poucos, também comecei a falar o que achava e acabava rindo do meu próprio senso de humor.  Sabe, acho que a prática ajuda: você começa fazendo uma brincadeira, tirando um sarro de alguém, contando uma historia do “seu” jeito e bem, daqui  a pouco todo mundo está rindo, mesmo que a história seja triste – mas daí, talvez, valha o “como” e não o “que” é contado. Não sei. Contava umas histórias muito tristes às vezes e o povo chorava….de rir. Vá entender!

 

Após ter passado por duas cirurgias do cérebro, ambas com relativo sucesso, tenho um milhão de motivos para rir e me divertir e tenho certeza que cada minuto vivido é uma benção que devo agradecer diariamente a Deus. Quando você escapa praticamente ilesa da primeira e tem que encarar uma segunda um ano depois e bem, continua reconhecendo seus amigos, lembrando de fatos de sua infância, não tem por que não ser feliz, não é mesmo? Alguém lá em cima gosta muito de mim! Amém!

 

Mas como tudo na vida, há um lado negativo! Ser engraçada também tem seu preço. Parece um trabalho em tempo integral, mas não remunerado. Ocorre que isto acaba virando um jeito de ser, uma forma de viver e cria uma certa expectativa com relação à sua postura, seu comportamento. Então, não é o fato de querer ser engraçada. Algumas pessoas esperam que você seja engraçada o tempo todo, como se fosse um dever estar 100% do tempo de bom humor, pra cima. Ora, como boa Canceriana que sou – e com o ascendente em Câncer, uma jornada dupla que, segundo os entendidos, torna meu mundo um universo de hipersensibilidade, traz uma boa dose de drama e me joga  num sem-número de altos e baixos, é um transtorno ser feliz o tempo todo, não dá. É humanamente impossível.

Se estou feliz, estou feliz ao extremo, quase em níveis hilários, se estou triste, posso ser a rainha do drama – e haja lenços de papel para enxugar tantas lágrimas, ou seja, a palavra-chave de Câncer, além de Mãe é Emoção. Tudo o que é sentido é elevado à milionésima proporção. E atire a primeira caixa de lenço quem nunca se sentiu assim. Acho que aquela frase “Meu mundo caiu!”  deve ter sido criada  por alguma canceriana. Enfim, se na maioria do tempo, somos divertidos, engraçados, também existem os momentos “de lua”, ou seja, o tempo fecha. Neste momento, queremos rir, mas de que? Com quem?

Me entristece  vivenciar momentos em que estou “pra baixo” e as pessoas te rodeiam, não porque querem te ajudar, as vezes nem podem, mas porque querem ver a outra “pessoa”, aquela divertida, que as faz rir, como se aquele corpo que está ali necessariamente não agregasse nenhum valor. Se estou triste, pensam que estou “brava” e querem saber o que aconteceu, tudo fica muito complicado, a gente tem que explicar porque está triste, como se fosse um erro, um deslize, uma falha. O mal estar passageiro se transforma num murmúrio geral do  tipo “ela está virada”, como se isto fosse a peste negra. Você se sente responsável pelo humor do ambiente todo, entende?

 

Parece simples, mas é duro ouvir: “Preciso falar com você, porque estou muito pra baixo e quero rir um pouco” ou “Vem cá, conta umas histórias divertidas porque o clima aqui tá um velório” ou pior, se você quer só deitar na piscina do prédio e ler um livro  alguém logo  pergunta “que bicho te mordeu”? Já ouvi algo assim: ”Nossa, foi ótimo te ver, ganhei a noite, ri por uma semana” Como assim? Você saiu para se divertir ou para divertir os outros?  Hellowww!!!! Não sou palhaça profissional. Aliás, agora a palavra da moda é  “clown”, pois bem, não sou “clown”, sou apenas uma pessoa que tenta fazer limonada se ganhar um limão, talvez uma caipirinha. Sou otimista, acho que o mundo tem jeito sim e acredito nas pessoas. Mas também, como qualquer pessoa,  sofro muito! Se conto uma história triste, as pessoas não podem dizer “Ah, só podia ser com você!”.”Ah, isto é tão você!” Quero um minuto de silêncio, um só, quero empatia, quero solidariedade, depois podem cair na gargalhada, mais tarde.  Não quero que as pessoas riam de mim, quero que riam comigo, é diferente, não?

 

Será que as pessoas sabem que o palhaço quando volta pra casa, tira a maquiagem, guarda sua fantasia, senta numa cadeira, olha em volta e sozinho, sem ninguém para lhe dar um colo ou um ombro amigo e cheio de problemas na cabeça, tem uma vontade louca de chorar?  Muitas vezes estou usando o nariz vermelho, é verdade….e gosto, mas muitas vezes, ele está vermelho de tanto chorar, mas quem percebe?  A gente já não sabe mais se está rindo de alegria ou porque as pessoas estão felizes e isto é o que importa. No fundo, acho que a personalidade do palhaço sai com a água, não é algo permanente.  Como diria Milan Kundera, “Nunca somos nós mesmos quando há platéia”!

 

 

Um Novo Olhar para o Mercado de Luxo

novembro 12, 2011

O grupo Mulheres de Negócios se reuniu pela 11ª. vez na Livraria Cultura do Market Place, em São Paulo no último dia 10. Era uma tarde quente, muito trânsito e a palestra estava marcada para as 17:00 hs, mas às 16:30 hs o primeiro participante já havia chegado. Em 2 anos e 8 meses de existência do grupo – hoje com mais de 3600 profissionais cadastrados, tivemos pela primeira vez a participação de um palestrante do sexo masculino.

Poderia ser qualquer tema ou qualquer palestrante,  mas a maioria das integrantes do grupo  – 99% mulheres – sempre pedia uma palestra sobre o mercado de luxo. E não se pode falar de luxo no Brasil sem mencionar alguém que estruturou as idéias e estratégias em torno deste assunto – e que vem fazendo isto com muito sucesso há muitos anos, falo de Carlos Ferreirinha, um ícone nesta área. Se alguém for discutir o assunto seriamente, é preciso esperar ele chegar  ou ouvir sua opinião. Ele é “o” cara, é fato!

Ferreirinha tem  expertise incontestável sobre o assunto. Fala sobre Montblanc, Cartier, Hermès, Maserati, Esteé Lauder, Channel,  Bulgari, Louis Vuitton, como falamos sobre marcas de café, sabão em pó, hidratante, shampoo, carro ou farmácia – mas – surpresa – ele mostrou que entre estes segmentos e marcas existe algo em comum: todas elas trabalham ou vão trabalhar com o mercado Premium/Luxo  nalgum momento.

Quem já está lá – há 200, 300 anos, como italianos e franceses, continuam fazendo o que fazem bem, criando estilo, fazendo moda, privilegiando a exclusividade. Quem não está neste momento, já considera o assunto, criando formas de remodelar a estratégia de entregar seu produto, seja através de novos atributos ou características que lhes permitam agregar um “Selection”, “Premium”, “Prime”, “Best”, “Gold” “Collection”, “DeLuxe”, “Design”, “Adventure” ou outro adjetivo ao produto, que o torne diferente e atraente aos olhos do consumidor.

Aqui não falamos em função, falamos em percepção, porque o cliente precisa entender que função tem a ver com uso, funcionalidade, algo que pode levá-lo a questionar seu preço. Luxo envolve “valor”, não é dinheiro, é sensação – é saber que aquilo vai lhe proporcionar algo mais, poder, influência, uma aura mágica, que coloca o consumidor não numa fila comum no caixa, mas num pedestal. É assim que ele se sente. Ele é diferente. E todos querem ser.

Criam-se produtos especiais porque o poder de compra de algumas classes sociais foi aumentado, os consumidores, mais conscientes  buscam produtos bem-feitos, bem acabados, diferenciados, que representem não apenas mais uma sacola com um logo de uma loja, mas uma experiência, uma sensação que aguce todos os sentidos. É preciso cativar este cliente, oferecer algo extraordinário, porque o simples, o “ordinary”, o “just ok” está ali na esquina, nós reconhecemos o produto, mas o produto não reconhece a gente, não sabe quem somos, não existe o link emocional. É vendido e consumido – não apreciado, degustado. Não existe ligação emocional entre o consumidor e a marca. E isto está para mudar.

Ferreirinha acha que o mercado brasileiro se tornou extremamente atraente para marcas que até algum tempo atrás viam o país apenas como produtor de matéria prima. Surpresa, o Brasil consome e muito. O mercado de luxo cresce 20% no Brasil, duas vezes mais que no mundo. Um país com 203 milhões de habitantes e “apenas” 418 shoppings com mais de 5 mil m2 preocupa empresas de luxo que precisam de áreas no varejo para expandir suas marcas. É fato que “diferente dos indianos e chineses, que têm mais tradição de poupar, os brasileiros gostam de gastar e os mais ricos não se incomodam em ostentar seu dinheiro”, afirma o jornal International Herald Tribune, versão internacional do nova-iorquino The New York Times. Mas aqui, ainda de acordo com o jornal, os shoppings são organizados e ambientes de glamour, onde é possivel ter acesso a bons restaurantes, bons cinemas,  uma opção de lazer e compras, ao mesmo tempo-   diferente de cidades onde ambientes de compra costumam ser bastante caóticos.

Segundo Ferreirinha, grandes marcas globais querem ou já tem operações no Brasil. Por que? Porque estamos aprendendo a comprar, porque finalmente estamos entendendo que o luxo faz parte da qualidade de vida – por isto se vendem imóveis de luxo, com grandes áreas de lazer, carros que funcionam bem no campo e na cidade, shopping centers que “viajam” para a serra ou para a praia, porque é lá que o consumidor  está e ele compra. É preciso entender os hábitos do consumidor: como, onde, o que, quando, por que. Isto é inteligência de mercado e isto traz vantagens para todo o mundo!

O consumidor já mudou, faltam mudar as empresas e os profissionais que trabalham nelas. Não se admitem mais a falta de profissionalismo, o serviço mal feito, o vendedor displicente,  a entrega que não foi feita, prazos desrespeitados. Adaptação ou  mudança  é a palavra chave. Não vamos reinventar a roda, vamos adaptar o que temos – e o Brasil é muito bom nisto! Tem uma facilidade fantástica para recriar, reinventar e inovar. E fazer coisas geniais.

O Brasil – este gigante pela própria natureza acordou!  Que diga a Johnnie Walker, fabricante de uísque que teve o maior índice de crescimento em 2010 –  30%, aqui, na terra da cachaça,  e que pela primeira vez em sua história fez um comercial dedicado a um país. O comercial que envolveu 420 profissionais e 12.000 horas de trabalho, faz uma bela homenagem ao Brasil e aos brasileiros e termina com a mensagem “O Gigante não está mais adormecido. Keep Walking, Brazil!”.

http://www.youtube.com/watch?v=IY3FoYwAu5U

 

 

 

CRM Nunca é Demais!

outubro 21, 2011

 Marketing e Tecnologia para Construir Relacionamentos

No 10o. Encontro do Grupo “Mulheres de Negócios” do LinkedIn, que aconteceu no último dia 17 em São Paulo  e que contou com  o patrocínio da PTC, Miriam Bretzke, criadora da Bretzke Marketing de Relacionamento, apresentou as tendências desta iniciativa que tem o objetivo de melhorar e personalizar a relação empresa/cliente ou usuário.

Como todo assunto que envolve serviços e consumidores, o debate rendeu muito. Os participantes, além de representantes do mercado corporativo, são também,  usuários de vários serviços e como consumidores satisfeitos ou não, apresentaram vários depoimentos de serviços bons e alguns nem tanto assim.

A estratégia da Bretzke  envolve todas as etapas de construção de um bom relacionamento, desde a definição dos objetivos estratégicos, análise da base de clientes, definição das ações, passando por várias fases, até a análise dos resultados/métricas, sempre com o objetivo de melhoria contínua entre as duas partes e um mensurável retorno do investimento realizado nas ações.

Consenso entre os participantes do evento é que, embora as empresas invistam muito em tecnologia, o consumidor ainda se sente frustrado com o que lhe é oferecido, sinal de que ainda falta muito para a tal “personalização” dos serviços, um dos pontos muito comentados durante evento, com apresentação de cases de empresas, que, ainda que imbuídas da maior boa vontade, pecam ao oferecer serviços que ficam longe de atender os desejos do consumidor, hoje, muito mais exigente, “antenado”, informado, paparicado e principalmente usuário de mídias sociais, que difundem instantaneamente o que as empresas fazem de bom e de ruim.

A mensagem que foi passada, de forma clara e objetiva , é que as empresas – grandes ou pequenas, de qualquer segmento ou indústria, precisam ter uma visão integrada do cliente - que muitas ainda não têm,  adotar novas práticas de gestão, desenvolver estratégias e táticas de marketing, integrar seus canais de relacionamento de uma forma consistente e contínua, proporcionando ao cliente a sensação de que ele é realmente único, exclusivo, estratégico para elas,  e garantindo para esta empresa o contínuo retorno de investimento, leia-se “mais vendas”.

Sim, cliente feliz compra muito e sempre, e o mais importante, fala da empresa para todo mundo. É o marketing boca-a-boca, uma ação viral, rápida, simples e eficiente, como toda campanha de marketing deve ser!

 

 

Reescrever o Passado!

outubro 2, 2011

 

Eu tinha que ver com meus próprios olhos! Precisava estar ali a alguns metros de onde tudo aconteceu. Precisava ver o que tinha sobrado, mas não havia nada que lembrasse o que estava ali antes. Estou falando do WTC em NY, ou melhor, do espaço onde ficavam as Torres Gêmeas, estupidamente destruídas no atentado de 11 de setembro. Estive nas torres há muitos anos. Lembro de como demorou para chegar lá em cima, lembro do medo que senti porque afinal, foi uma viagem vertical, rápida para um lugar muito, muito alto, dentro de um gigantesco edifício de ferros e vidros.

E hoje nada mais existe daquilo. O que existe é um trabalho de reconstrução. As obras estão a todo vapor, existe um complexo sendo construído, com torres, praças, jardins. Outros monumentos tomarão o lugar daquilo que foi durante muitos anos, junto com a Estátua da Liberdade, os luminosos da Broadway, a ponte do Brooklin e o  Empire State Building, um dos símbolos mais marcantes da cidade de Nova York. Mas existe outra reconstrução em andamento: a do próprio passado.

Conversando com uma policial, ela me disse que perdeu alguns amigos mais antigos que trabalhavam na corporação na época. Disse que acabara de entrar na força policial e comentou do orgulho em fazer parte do grupo que “protege e serve” a sociedade – algo que fazia seu dia passar rápido e com muita alegria. Choramos juntas. Eu disse a ela que a tragédia não podia ser considerada apenas uma história triste de Nova York, mas uma tragédia que abalou o mundo todo. Creio que é o único fato, além do nascimento de um filho ou da morte de um parente querido, que todo mundo lembra exatamente o que estava fazendo no momento, porque todo mundo parou o que estava fazendo para acompanhar as notícias horríveis que eram narradas a cada segundo.

Nova York não é a mais mesma. Ela não esqueceu o atentado e nunca esquecerá. Existem milhões de coisas que lembram o fato – até uma lojinha dentro do próprio Memorial, vendendo souvenirs da cidade – bem ao lado de cenas incríveis do resgate. Há até uma escultura da Estátua da Liberdade com objetos de pessoas que estavam nas torres ou fotos de pessoas que morreram no atentado, sapatos, fotos, bilhetes, quepes, roupas empoeiradas, está tudo lá.

O que acontece também é uma reconstrução do tempo, uma reconstrução da história, como se, sendo proativo hoje, pudesse a cada dia minimizar a dor que os americanos têm sentido desde então. Como se cada trator, cada máquina que trabalha sem cessar, pudesse mostrar que enterrados todos os escombros, a história se renova.

E quando a história se renova, existe esperança.  Esperança de que o homem possa usar esta força incrível para construir uma nova página que será lembrada pelos mais jovens, que afinal, governarão o país e o mundo e quem sabe, observando o orgulho destes trabalhadores, resolvam escrever, através de sua atitude, uma história mais rica e mais sensata para as próximas gerações, até que este fatídico dia possa ser chamado de  “O Dia em que Começamos  um Novo Mundo”, um mundo que respeita o outro, que aprecia a individualidade,  que premia a criatividade, que não impõe  barreiras  e que, sobretudo,  promove a paz, uma palavra que, assim como a dor, também se escreve com três letras, mas que ao contrário desta, celebra a vida, usa o bom senso, traz alegria, busca a felicidade   e  a entrega – mas só aos homens de boa vontade!

Um Anjo no Metrô de NY

outubro 2, 2011

 

 

 

Na última semana de setembro usei várias vezes o metro de NY porque estava no Brooklin e claro, o agito acontece em Manhattan, então, embora seja uma longa viagem, várias e várias estações, o custo/benefício compensa. Então, vamos de metrô! Numa destas viagens, conheci um senhor, portador de uma deficiência mental, não soube precisar qual – mas notadamente, sua conversa, ainda que articulada, era feita através de um tom infantil, mais alto do que os adultos falam e  seu rosto demonstrava alguns traços de alguma síndrome. É uma pessoa especial, inteligente, mas acima de tudo, o que me chamou a atenção foi seu espírito de solidariedade. Ele é um anjo e não sabe disto!

Ele me contou que usa o metrô há vários anos. Conhece todas as linhas e os nomes das estações. Sabe quantas paradas existem entre qualquer ponto da cidade, fazendo cálculos muito rápidos, em segundos e durante vários anos tem ajudado pessoas que não sabem qual trem tomar. A coisa toda aconteceu informalmente e foi crescendo à medida que a fama foi correndo entre os usuários do metrô.  Se alguém pede uma informação, é automaticamente direcionado a ele, caso se saiba que ele esta nas proximidades – e ele, cortesmente, indica qual caminho tomar. Faz isto durante muito tempo, vários anos.

 Muitas vezes perdeu hora no trabalho porque como ele próprio comenta: “Como posso sair da estação, se algumas pessoas simplesmente não sabem qual trem tomar? O que poderia acontecer com elas?”. Para ele, é uma questão pessoal, quase um dever, tomar conta dos turistas que estão na estação, dos idosos que não sabem se o trem já passou ou não ou dos jovens, iniciando sua jornada e dependendo do metrô pra chegar ao trabalho. E muitas pessoas, que mesmo morando na cidade, não sabem mais que ter tomar, simplesmente perdem muito tempo procurando no mapa a estação correta. Isto tudo parece ser sua responsabilidade e enquanto me conta isto, continua dando dicas para pessoas que perguntam em que estação estão ou quantas faltam para chegar a seu destino.                                                                                                         

Perguntei a ele por que ele simplesmente não trabalhava no metrô? Ele me respondeu: “Que graça teria ganhar dinheiro para fazer algo que não custa nada”? “Além disso”, ele disse, “tenho meu trabalho, o que eu faço é ajudar as pessoas e isto é algo que não se cobra. Como poderia?”  Uau! Fiquei pensando: que razão teria alguém cuja vida é tão cheia de dificuldades, tão cheia de limitações – aos nossos olhos, claro – para se expressar, para ser entendido, para ser respeitado num mundo os especiais não tem muito espaço, qual seria a motivação deste senhor em “gostar” de ajudar as pessoas porque, afinal, “esta é a nossa função”, segundo suas próprias palavras. Ele cuida dos outros, embora eu desconfie  que não exista  alguém que cuide dele. Ele me pareceu ao mesmo tempo tão solitário e vulnerável, mas  tão auto-suficiente. Uma criança dócil e ingênua, num corpo curtido e calejado pelo tempo.

Nunca pensei que ajudar os outros voluntariamente pudesse ser a função de alguém que não ganha pra isto. Na realidade, o mundo está  mais para  um “salve-se quem puder” do que propriamente contando com anjos da guarda no metrô, mas enfim, aquilo me surpreendeu! Existem, sim, pessoas, que gostam de ajudar, pelo simples prazer de fazer o bem ao próximo.  Esperando nada em troca, porque não se trata de uma troca, é um presente dado.

 

Coincidentemente, no dia seguinte, numa outra viagem, um senhor entra no metrô – se apresenta em alto e bom som, chama a atenção de todos no vagão: diz que é um cantor, desempregado, precisa comer e começa a cantar, sem qualquer acompanhamento, uma música do Elton John, popularizada na voz de Billy Paul. A música se chama “Your Song”. Quando ele terminou de cantar, eu e mais umas duas ou três pessoas aplaudiram veementemente e ele passou o chapeuzinho para coletar algum dinheiro. Desta vez, só eu ajudei, paciência. Estava contagiada pelo espírito do anjo da guarda do dia anterior. Um trecho da música que ele cantou dizia: “How wonderful life is now you’re in the world”, algo como“Quão maravilhosa a vida é, agora que você está no mundo”. Aplaudi o músico, porque adoro esta música, mas aplaudi também meu amigo do metrô, aquele anjo da guarda generoso, que torna o mundo um lugar tão solidário, humano, um lugar maravilhoso para viver, porque ele existe e através de sua atitude, torna a vida das pessoas mais simples, por que afinal, estamos aqui para isto – para servir, não para ser servido.

 

Para este anjo da guarda, em qualquer estação em que ele se encontrar e ele deve estar em alguma nesse momento, com todo o meu carinho e respeito, dedico este verso da mesma música: “Anyway, the thing is, what I really mean, yours are the sweetest eyes I’ve ever seen – De qualquer forma, o que eu realmente quero dizer é que os seus olhos são os mais doces que eu já vi”.

Acho que precisamos ser – ou  criar – mais anjos da guarda como este, porque um só não dá conta de tanto serviço! E que um anjo mais poderoso abra suas asas sobre todos nós, em todas as estações do metrô e do ano!

 

Encontros e Reencontros

setembro 17, 2011

 

 

Existem milhões de pessoas por ai. Você cruza com elas todos os dias. No metrô, nas ruas, nas lojas, no caixa do banco, às vezes dá até um pequeno esbarrão, se desculpa sem nem olhar para o outro, meio automático e segue adiante. Volta para casa e pensa que na realidade, viu um monte de gente – e não notou ninguém.

Isto acontece 365 dias por ano – mas há o ano bissexto, aquele que tem um dia a mais – é quando fevereiro tem 29 dias – alguma coisa a ver com sincronia com o calendário solar – e ocorre a cada 4 anos. Às vezes, pode ocorrer a cada 40 anos….depende do ponto de vista, mas há um dia  – um dia apenas diferente dos outros, em que aquele esbarrão é seguido do pedido de desculpas, mas desta vez, você olha para a pessoa, por algum motivo desconhecido e seus olhos encaram os dele com uma pontinha de interrogação. Você diz: Desculpa!, mas por algum motivo espera uma resposta, espera que ele aquele momento se prolongue um segundo a mais, porque parece que há tanto ali, há esperança, há promessas, há curiosidade. É quase uma pergunta: Desculpa? E aí, você pode acrescentar a frase que quiser: Desculpa? Se não te encontrei antes, se não esbarrei em você o ano passado, se não estava aqui ontem.

Claro que isto é uma analogia para explicar porque algumas pessoas nos tocam de maneira diferente e não é um toque físico – é um sinal que ela envia, sem dizer nada, um radar, dizendo  “olha eu aqui”. E este radar olha para você, após ter enviado a mensagem vezes sem conta….só que desta vez você acena levemente com a cabeça, como a dizer: “Sim, captei sua mensagem. Eu sei que você está aí e sei exatamente o que você está pensando”.  Tudo isto sem ninguém emitir uma palavra – e quem disse que entre duas pessoas não existe um mundo de palavras, olhares e  gestos que ninguém percebe, somente você e o outro?

E aquela mensagem se materializa num aperto de mão, num toque, num café no dia seguinte, numa música tendo a lua por testemunha – e bem, a história continua. Palavras viram sussurros, que viram sorrisos, que viram gargalhadas, que viram…todo mundo sabe o que!

Mas no outro dia já é março! O mês de fevereiro vai voltar só daqui a quatro anos de novo. E você se pergunta? Por que? Por que já é março?  Não é melhor viver tudo com alguém por algum tempo, do que viver uma vida árida, boba, sem sentido com alguém, a vida inteira? Pense em  emoção ou estabilidade, sensibilidade ou constância, frio na barriga ou previsibilidade e faça sua escolha.

E quando você acha que seu dia 29 de fevereiro só vai chegar daqui a quatro longos anos, ele volta no ano seguinte. Aquele calor que você sentiu o ano todo ainda é o calor da lareira que ele acendeu em seu coração e que te mantém aquecida à noite, que te mantém com aquele sorriso bobo e um olhar no oceano. O barco vai voltar. E nele virá seu pirata. Ele roubou seu coração.  OK, foi consensual! Mas, milagres acontecem.

Ele está trazendo-o de volta – e desta vez, trouxe embrulhado num presente, com um nó de marinheiro, que só ele – malandro experiente – vai conseguir abrir, ainda que leve muitos anos. Um nó tão complicado que são necessárias quatro mãos, dois sorrisos e um só desejo para abrir. O velho lobo do mar está voltando para casa. Cansado, com fome e com mil histórias. Hora de preparar uma bebida forte, aquecer a cama e esquecer o tempo.  

A sua casa é o meu coração.

O Machismo no Trabalho

agosto 20, 2011

Se ela chora, é frágil demais, muito emotiva! Se ele chora, tem uma “alma feminina”!

 

As mulheres percorreram um longo caminho no mercado de trabalho. Conquistaram posições de destaque dentro das empresas. Até mesmo a área de TI – um grande reduto dos “meninos” – já está mais charmoso. Não existem mais só paletós e gravatas neste espaço, mas já começam a chegar as roupas mais transadas, porque claro, mulher tem muito mais opção nesta área, vamos e venhamos, chegam também a intuição feminina e mulheres que mandam muito bem na área de tecnologia.  O ambiente ficou mais equilibrado, podemos afirmar.

Mas assim como num jardim, que você cuida, trata, arranca as ervas daninhas e elas voltam, no ambiente corporativo, tão modernizado, sofisticado,  “gerenciando” as desigualdades, apresentando ações de cidadania e respeito, você ainda vê – com uma indesejável freqüência –  algumas atitudes que poderiam ser consideradas meio machistas. Nem estamos falando da maioria de altos cargos destinados aos homens, salários mais altos e outras benesses, mas algo quase imperceptível, que nos faz refletir não no momento que acontece, mas um pouco depois. Como um alimento que não caiu bem, aquela queimação no estômago! Sim, ainda existem ações que evidenciam que diante das leis trabalhistas, todos são verdes – mas em nuances muito diferentes!

Alguns exemplos destas manifestações podem ser vistas quando você não tem filhos ou marido, por exemplo. Em 90% dos casos é você que vai ter que fazer as honras da casa e levar o visitante – estrangeiro ou não, para almoçar ou jantar no fim de semana, porque, bem, os “meninos” têm família – e dela não vão abrir mão para cuidar de alguém que pode nem estar ligado ao seu departamento, mas puxa, “você não tem ninguém mesmo, custa”?

Se a “tia” do café faltar, nenhum dos rapazes vai arregaçar as mangas, fazer o café e avisar todo mundo que bem, o café está servido. Se depender dele e pensando em seu próprio bem estar, ele vai até a padaria mais próxima e resolve seu problema. Simples assim. Mas é claro que você vai dar um jeito nisto em 5 minutos, por que não? Que parte de engenharia da NASA existe numa inocente cafeteira?

Também é triste comprovar que se as “esposas” destes rapazes não trabalham, qualquer motivo é válido para serem arrancados do local de trabalho, porque “pintou um vazamento, vem pra cá”. Bom, nós chamamos alguém, pagamos o serviço, deixamos a chave na mão do zelador e corremos para o escritório, porque há tanto a ser feito e o trabalho não vai se fazer sozinho.

Uma amiga, diretora de uma escola infantil, comenta que todas as vezes em que são chamados pais e mães para as reuniões, elas largam tudo e vão ouvir o que  a escola tem para falar sobre seus rebentos. Só neste caso elas largam o trabalho, mas simplesmente pelo fato de que o “trabalho” do marido é infinitamente mais importante que os delas.

Ele não pode sair do escritório, mas ela – como boa mãe –e aí as características femininas são mais do que bem vindas, deve sair correndo, largar tudo e voar para a escola, porque, seu marido executivo não pode perder um minuto sequer de sua atribulada agenda para saber se o filho está sofrendo ou praticando ações de “bullying” ou se seu aproveitamento está dentro da média. E aqueles que vão, muito a contragosto, ficam bufando, olhando para o relógio o tempo todo, para saber que horas o “suplício” vai ter fim. Como se o fato de participar de uma reunião na escola pudesse diminuir seu valor no mercado: “Olha lá Fulano de Tal, que tipo de trabalho ele tem, se pode participar de uma reunião de pais e mestres?”, algo assim.

Minha amiga comentou até que numa destas ocasiões, o pai escalado para participar da reunião porque a mulher estava viajando, “esqueceu” de buscar o menino na escola. Claro, “saiu da rotina, mudou totalmente a configuração de sua agenda”. Esta deve ter sido a desculpa dada para a desesperada mãe quando a escola entrou em contato para dizer que o Juninho estava ficando um pouco ansioso e perguntando pela mãe.

A verdade é que nossas “valorizadas” características como sensibilidade, intuição, espírito de união são usadas para atividades como decorar o escritório, organizar festinhas de aniversário e fim de ano, entreter o filho do chefe que adora pintar o carpete da empresa – sim, neste momento é importante contar com uma mulher no pedaço. Quem resolveria isto tão bem? Eles não têm “cabeça” para isto…Porém, quando esta mulher senta na cadeira do chefe, em cargos de liderança,  é vista como prepotente, mandona, arrogante, chorona – atributos diametralmente opostos às qualidades tão bem delineadas de nossos colegas do sexo oposto: o prepotente pode ser traduzido como “poderoso”, o  “mandona” dela vira “asssertivo” do lado dele, o arrogante se transforma em “alguém que sabe o que quer, que não se deixa abater” e o chorona, oh céus, pasmem,  significa que ele – o chefe –  “tem uma alma feminina!”.

Se para nós, chorar pode revelar um momento de fraqueza, a lágrima dele vai ser estampada nos jornais, como um momento de emoção, sensibilidade, fragilidade – algo tão simples e ao mesmo tempo tão belo! Dois pesos, várias medidas!

Vá entender!

 

 

 


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.