Várias pesquisas têm apontado que as mulheres estão empreendendo muito, mais que os homens. Cada vez mais, mulheres estão gerenciando seus próprios negócios, cuidando de suas franquias, abrindo suas lojas, sendo donas de seu tempo, recursos, investimentos, enfim, cuidando do que é seu.
A taxa de empreendedorismo feminino só cresce, mas de que forma? Será que a mulher está ganhando dinheiro? Ou será que está ganhando como deveria? A questão é relevante se pensarmos que pela primeira vez no país, as mulheres estão empreendendo mais do que os homens, é um fato. O problema é que normalmente, a idéia que sai do papel não tem muita base de informação, ou seja, é sabido que o empreendedorismo é um colchão do desemprego – muitas vezes as pessoas começam um negócio porque precisam de um salário para viver – e é ai que o problema reside – não há planejamento, não existe um business plan bem feito para esta iniciativa. A coisa se dá de forma intuitiva – às vezes um hobby que se transforma num trabalho full time, mas sem pesquisa, sem análise de ambiente, mercado, concorrência, pontos fortes ou fracos – pode dar certo, mas na maioria das vezes falha.
Normalmente o que diferencia um serviço de outro – é, além do nível de qualidade, seu grau de inovação, preencher uma necessidade de mercado que não está sendo atendida, buscar um novo mercado para um produto ou oferecer este produto de uma maneira inovadora. Estamos falando de diferenciação – o “meu” produto é melhor que o seu por várias razões. Isto é empreender e bem. Criar algo novo, diferente, com qualidade, que traga conveniência para o cliente, que o atenda de forma personalizada.
Quando se empreende por necessidade – não por oportunidade, as coisas acontecem de forma aleatória, não existe um plano de contingência, uma reserva financeira e não existe um fator que diferencie de milhões de micro-empreendedores que estão trabalhando no mesmo segmento. E é ai que muitos empreendedores – homens e mulheres sucumbem. Porque vamos trabalhar no que nos traz conforto, e nem sempre este conforto vai envolver pesquisa, busca de novas tecnologias ou inovações que podem custar caro e necessariamente não trarão o tão esperado retorno – principalmente quando o investimento é baixo e normalmente é.
Pesquisas também apontam que muitas vezes o investimento é feito utilizando o limite do cheque especial – a taxas altíssimas, que muitas vezes inviabiliza o negócio. São atividades que envolvem planos de curto prazo – apenas a sobrevivência até o final do mês, e não agrega nova ou qualificada mão de obra, também um fator que acaba alterando o aspecto profissional do trabalho, é uma gestão familiar – o marido, a irmã, a mulher, os filhos, não que isto não possa acontecer, mas mesmo grandes empresas geridas pela família passam por análises e consultorias, para que tudo corra bem. Não é uma gestão profissional com todos os aspectos que o assunto requer: motivação, inspiração, liderança, questões salariais, benefícios.
Enfim, não querendo ser pessimista, mas apenas mostrando uma realidade, empreender não é para qualquer um – envolve riscos, que nem todos estamos prontos ou gostamos de correr, envolve disciplina, auto-gestão, um capital de giro que possa sobreviver a longos períodos sem lucro e uma gerenciada dose de expectativa, porque os negócios podem não ir tão bem como pareciam nos catálogos ou naquela pousada que lota durante o verão, mas que sofre pela falta de turistas no resto do ano.
Empreendedores que iniciam suas atividades movidos por uma oportunidade, com planos e metas pré-estabelecidas se dão muito melhor do que aqueles que iniciam por uma necessidade. Sem plano não há negócio, ou melhor dizendo, todo negócio precisa de um bom plano. E isto é só o começo!

dezembro 16, 2011 às 3:24 pm |
Gladis,
Excelente análise, muito realista, parabéns.
dezembro 16, 2011 às 6:19 pm |
Obrigada, meu amor! Vindo de você, mega empreendedora, é um super elogio!